PL tenta fechar uma aliança com PP, Republicanos e União Brasil, mas não será fácil

A definição do candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) entrou em uma fase decisiva. Depois de semanas tentando construir uma aliança com partidos do Centrão, a direção do Partido Liberal passou a concentrar as negociações em dois nomes da própria legenda: o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE). A mudança de estratégia ocorre diante da crescente dificuldade de fechar uma composição nacional com partidos como Progressistas (PP), União Brasil e Republicanos.
Nos bastidores, dirigentes do PL ainda trabalham para tentar reverter esse cenário antes do encerramento do prazo para formação das chapas. Entretanto, integrantes da cúpula partidária avaliam que a possibilidade de uma aliança com legendas do Centrão se tornou cada vez mais remota após as recentes decisões do PP de permanecer neutro na disputa presidencial e das dificuldades nas negociações com outras siglas. Com isso, Rogério Marinho e Priscila Costa passaram a ser considerados os principais favoritos para ocupar a vaga de vice.
Embora apresentem perfis bastante diferentes, ambos são vistos como opções capazes de agregar características importantes à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e ampliar o diálogo com segmentos específicos do eleitorado. A escolha do vice é considerada uma das decisões mais importantes da campanha porque poderá influenciar diretamente a estratégia eleitoral do PL. Além de fortalecer a chapa, o nome escolhido deverá contribuir para ampliar a presença da candidatura em regiões onde o partido busca crescer e reduzir resistências entre determinados grupos de eleitores.
Rogério Marinho reúne experiência política e diálogo com o mercado
O senador Rogério Marinho aparece como um dos nomes mais fortes na disputa interna. Ex-ministro do Desenvolvimento Regional e atual coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, ele é visto por dirigentes do PL como uma liderança experiente, com capacidade de atuar na articulação política e de aproximar a candidatura de setores empresariais e agentes econômicos.
Nos últimos meses, Marinho participou ativamente das negociações para formação da chapa presidencial e também foi responsável por conduzir conversas com partidos de centro na tentativa de ampliar a base de apoio do PL. Sua experiência no Congresso Nacional é apontada por aliados como um fator que poderia trazer maior equilíbrio político à campanha. Outro aspecto considerado positivo por integrantes da legenda é o conhecimento de Rogério Marinho sobre temas econômicos e administrativos. A avaliação interna é que sua presença na chapa poderia transmitir maior segurança durante os debates sobre economia, infraestrutura e gestão pública, assuntos que deverão ocupar espaço importante ao longo da campanha eleitoral.
Apesar disso, parte do partido também avalia que a escolha de um perfil semelhante ao de Flávio Bolsonaro poderia limitar a capacidade de ampliar o alcance eleitoral da candidatura. Esse argumento fortaleceu a discussão sobre alternativas capazes de dialogar com públicos diferentes.
Priscila Costa ganha força por representar novos segmentos
A vereadora de Fortaleza Priscila Costa passou a ganhar espaço nas discussões internas do PL principalmente por reunir características consideradas estratégicas para a campanha. Segundo dirigentes da legenda, ela representa um perfil capaz de ampliar a presença do partido junto ao eleitorado feminino, evangélico e nordestino.
Aliados destacam que Priscila mantém boa relação com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, é filha do pastor Freitas Rego, presidente da Assembleia de Deus Bela Vista, e possui forte atuação junto ao segmento evangélico. Sua indicação também contribuiria para fortalecer a presença feminina na chapa presidencial, aspecto considerado importante pela direção nacional do partido.
Outro fator levado em consideração envolve a distribuição dos recursos do fundo eleitoral. Como as candidaturas femininas possuem regras específicas para financiamento e participação na divisão dos recursos públicos, integrantes do PL entendem que uma vice mulher poderia facilitar parte da estratégia eleitoral da legenda. Além disso, o fato de Priscila Costa ser do Nordeste é visto como um possível diferencial político. A região continua sendo considerada uma das mais desafiadoras para o PL, e a presença de uma liderança nordestina na chapa poderia ampliar o diálogo com esse eleitorado durante a campanha presidencial.
Aliança com Centrão perde força nos bastidores
Até poucos dias atrás, a prioridade do PL era construir uma chapa presidencial com apoio de partidos como PP, União Brasil e Republicanos. Lideranças da legenda acreditavam que uma composição desse tipo aumentaria o tempo de propaganda eleitoral, fortaleceria a estrutura política da campanha e ampliaria o alcance nacional da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Entretanto, a decisão do Progressistas de permanecer neutro na disputa presidencial reduziu significativamente as possibilidades de uma aliança. Ao mesmo tempo, negociações com União Brasil e Republicanos também não avançaram no ritmo esperado, fazendo com que dirigentes do PL passassem a trabalhar com maior intensidade em nomes do próprio partido. Mesmo diante desse cenário, integrantes da campanha ainda pretendem manter conversas até o encerramento do prazo legal para formação das chapas.
A avaliação, porém, é que uma mudança significativa dependeria de uma reviravolta política nas negociações com os partidos do Centrão, hipótese considerada cada vez menos provável pela direção da legenda. Enquanto isso, Rogério Marinho e Priscila Costa permanecem como os principais cotados para integrar a chapa presidencial do PL. A definição deverá ocorrer nos próximos dias e será considerada uma das últimas etapas da montagem da candidatura de Flávio Bolsonaro para a eleição presidencial de 2026.




