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Lindbergh e Soraya Thronicke levantaram uma grave suspeita contra Alfredo Gaspar

A disputa política envolvendo o deputado federal Lindbergh Farias e Alfredo Gaspar ganhou um novo e explosivo capítulo nesta terça-feira (11). O parlamentar do PT passou a ser acusado pelo comerciante Luiz Antônio Lopes de ter participado de uma suposta armação para forjar uma denúncia de estupro contra Gaspar, atual candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Lindbergh nega as acusações e, na segunda-feira (10), acionou o Supremo Tribunal Federal para pedir a anulação da investigação relacionada ao caso.

A acusação agora colocada contra Lindbergh tem origem em um depoimento prestado por Lopes à Polícia Legislativa Federal em abril. Segundo o comerciante, teria existido uma tentativa de envolver uma jovem em uma história fabricada para incriminar Alfredo Gaspar, mediante promessa de pagamento. O relato passou a ser usado como base para uma nova frente de investigação, justamente porque contradiz a versão que havia sido apresentada meses antes durante a CPMI do INSS.

O episódio precisa ser compreendido dentro de uma disputa política que começou em março, quando Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke apresentaram uma denúncia envolvendo Gaspar durante a CPMI do INSS. Na ocasião, Gaspar era relator da comissão e havia apresentado seu relatório final, que acabou rejeitado pelo colegiado. A suspeita apresentada pelos parlamentares dizia respeito a uma possível violência sexual envolvendo uma adolescente, enquanto Gaspar sempre negou a acusação e afirmou ser vítima de perseguição política.

Lindbergh nega armação e recorre ao STF

Diante da nova acusação, Lindbergh adotou uma reação jurídica e contestou a validade do depoimento prestado à Polícia Legislativa. O deputado sustenta que não participou de qualquer esquema para fabricar uma denúncia contra Alfredo Gaspar e afirmou que o relato apresentado pelo comerciante seria uma tentativa de criar uma nova versão para prejudicá-lo. Em sua manifestação, o parlamentar também questionou a condução da investigação e pediu ao STF que o depoimento fosse considerado nulo.

O caso, portanto, passou a envolver duas acusações de grande gravidade em sentidos opostos. De um lado, Alfredo Gaspar foi acusado de um crime sexual e nega ter cometido qualquer irregularidade, afirmando inclusive ter realizado exame de DNA para demonstrar sua inocência. De outro, Lindbergh passou a ser acusado de ter participado da fabricação dessa denúncia, algo que também rejeita categoricamente. Até o momento, não há uma decisão judicial definitiva que confirme qualquer uma das versões, e a apuração deverá ser responsável por confrontar depoimentos, documentos e demais elementos disponíveis.

Depoimento coloca nova pressão sobre disputa política

O depoimento de Luiz Antônio Lopes aumentou consideravelmente a pressão sobre Lindbergh porque introduziu uma possível explicação para a origem da denúncia apresentada contra Gaspar. Segundo o comerciante, ele teria presenciado movimentações envolvendo uma jovem, uma jornalista e um assessor, e posteriormente afirmou ter participado de uma suposta armação mediante promessa de pagamento. A CNN informou que o nome do assessor mencionado no relato, identificado apenas como Lucas, não foi localizado entre os atuais integrantes do gabinete de Lindbergh.

A reação do deputado petista mostra que o caso deverá continuar sendo levado para a esfera judicial. Lindbergh afirma que o depoimento não merece validade e chegou a dizer que a Polícia Federal deveria investigar o próprio comerciante. A versão apresentada pelo parlamentar também é acompanhada de uma contestação sobre a competência e a forma como o depoimento foi obtido. Assim, enquanto Gaspar e seus aliados passaram a utilizar o relato como argumento de que a denúncia original teria sido uma armação, Lindbergh tenta impedir que essa interpretação seja consolidada antes da conclusão das investigações.

Caso Alfredo Gaspar ganha novo peso na eleição de 2026

A controvérsia ganhou uma dimensão ainda maior depois que Alfredo Gaspar foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. O episódio, que inicialmente estava relacionado aos embates da CPMI do INSS, passou a ter impacto direto sobre uma candidatura presidencial. Por isso, a acusação contra Lindbergh e a reação do deputado passaram a ser exploradas dentro de uma disputa eleitoral marcada por forte polarização entre grupos políticos. Flávio Bolsonaro, inclusive, afirmou nesta terça-feira que a acusação contra seu vice seria uma “farsa montada” e negou que Gaspar esteja prestes a ser retirado da chapa.

O futuro do caso, contudo, dependerá das provas e das decisões das autoridades responsáveis pela apuração. A Polícia Federal já havia analisado preliminarmente a denúncia original contra Gaspar e pedido ao STF autorização para abrir um inquérito, enquanto o ministro Gilmar Mendes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a investigação formal. Agora, com o surgimento de um depoimento que aponta para uma possível armação, o cenário ficou ainda mais complexo. As versões apresentadas por Lindbergh, Lopes, Gaspar e os demais envolvidos precisarão ser confrontadas, e somente uma investigação conduzida dentro das regras legais poderá determinar o que efetivamente aconteceu.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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