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Augusto Cury troca marqueteiro e reformula campanha antes da propaganda eleitoral

O candidato à Presidência da República Augusto Cury, do Avante, decidiu substituir o responsável pelo marketing de sua campanha poucos dias antes do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Leandro Grôppo deixou o comando da comunicação, enquanto o publicitário Sérgio Lima foi escolhido para assumir a nova fase da estratégia eleitoral. A mudança foi confirmada pela equipe do candidato nesta terça-feira, 18 de agosto, durante a primeira semana oficial da campanha presidencial de 2026. Embora substituições desse tipo não sejam incomuns em disputas nacionais, o momento chama atenção porque as inserções no rádio e na TV estão previstas para começar em 28 de agosto. Portanto, haverá pouco tempo para que conceitos, programas, discursos e materiais audiovisuais sejam revisados. Além disso, Cury enfrenta o desafio de tornar sua candidatura conhecida em todo o país, superar a polarização entre os principais concorrentes e aproveitar um espaço bastante limitado na propaganda partidária.

Augusto Cury troca marqueteiro após divergências estratégicas

Leandro Grôppo deixou a campanha mencionando divergências de natureza estratégica e financeira. Um dos pontos discutidos teria sido a disponibilidade de recursos para impulsionar conteúdos nas redes sociais, considerada uma ferramenta fundamental para candidaturas que possuem pouco tempo na televisão. Grôppo acumula experiência em campanhas políticas e participou de disputas vitoriosas de Romeu Zema ao governo de Minas Gerais. Sob sua atuação, Cury conseguiu ampliar gradualmente a exposição na imprensa, participar de entrevistas e garantir presença no debate eleitoral, apesar de aparecer com aproximadamente 2% das intenções de voto em levantamentos divulgados durante a pré-campanha. Entretanto, a assessoria do candidato afirmou que a substituição não foi provocada por conflitos com os antigos integrantes da equipe. Segundo a versão oficial, a mudança teria resultado de uma avaliação técnica das necessidades da candidatura e faria parte de um processo natural de aperfeiçoamento da comunicação.

Sérgio Lima retorna à campanha de Augusto Cury

O novo responsável pelo marketing será Sérgio Lima, publicitário que já havia trabalhado com Cury durante a pré-campanha realizada no primeiro semestre de 2026. Dessa maneira, embora exista uma mudança formal no comando, o profissional não chega como um desconhecido para o candidato e seus principais assessores. Lima ganhou projeção nacional por participar das campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022. Além disso, esteve próximo do ex-presidente durante a tentativa de criação do partido Aliança pelo Brasil, em 2019, e colaborou com Flávio Bolsonaro até o começo de 2026. Atualmente, o publicitário é apresentado como diretor-executivo de uma agência de comunicação e também exerce a função de vice-presidente de marketing do Vasco da Gama. Consequentemente, sua contratação indica uma tentativa de fortalecer tanto a produção de conteúdo digital quanto a construção de uma mensagem política capaz de alcançar eleitores fora do público tradicional do escritor.

Novo marqueteiro terá pouco tempo para reorganizar estratégia

A principal dificuldade encontrada pela nova equipe será reorganizar a comunicação em um período extremamente curto. A propaganda eleitoral gratuita está programada para ser exibida entre 28 de agosto e 1º de outubro, encerrando-se três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Augusto Cury deverá contar com pouco mais de 30 segundos nos blocos de rádio e televisão, tempo definido conforme as regras eleitorais e a representação parlamentar dos partidos integrantes de sua aliança. Por esse motivo, cada aparição deverá transmitir uma mensagem simples, reconhecível e capaz de despertar a curiosidade do eleitor. Além disso, a campanha precisará aproveitar entrevistas, debates, vídeos curtos e publicações patrocinadas para compensar a exposição reduzida nos meios tradicionais. Nesse cenário, deverão ser definidos elementos como identidade visual, principais propostas, tom dos discursos, forma de apresentação do candidato e posicionamento diante dos adversários mais conhecidos.

Candidatura busca transformar reconhecimento literário em votos

Augusto Cury, de 67 anos, é médico psiquiatra, pesquisador, empresário e autor de livros voltados à psicologia, à educação e ao desenvolvimento pessoal. Conhecido por obras como “O Vendedor de Sonhos” e “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século”, construiu uma carreira editorial com milhões de exemplares comercializados no Brasil e no exterior. Entretanto, reconhecimento no mercado literário não é automaticamente convertido em capital político. Esta é a primeira eleição disputada pelo escritor, que precisa apresentar suas propostas a pessoas que conhecem seus livros, mas ainda não o enxergam como uma alternativa para comandar o país. Seu discurso procura ocupar um espaço contrário à polarização e utiliza conceitos como gestão da emoção, educação socioemocional, prevenção de transtornos mentais e formação do pensamento crítico. Além disso, o programa registrado para a disputa apresenta propostas econômicas e institucionais, incluindo controle das despesas públicas, busca por equilíbrio fiscal e discussão sobre um modelo de semipresidencialismo.

Campanha enfrenta limitações financeiras e eleitorais

Embora Cury tenha declarado à Justiça Eleitoral um patrimônio de aproximadamente R$ 242 milhões, os recursos pessoais do candidato não podem ser confundidos com o orçamento disponível para a campanha. As despesas eleitorais devem obedecer aos limites legais, ser registradas na prestação de contas e utilizar fontes permitidas pela legislação. Portanto, a capacidade de investir em impulsionamento digital, produção audiovisual e equipes especializadas depende das decisões do partido, das doações autorizadas e do planejamento financeiro estabelecido. Ao mesmo tempo, o Avante possui uma bancada menor do que partidos como PT, PL e PSD, o que reduz o tempo destinado ao candidato na propaganda eleitoral. Nesse contexto, divergências sobre a utilização do orçamento podem ter consequências significativas. Enquanto uma candidatura com ampla exposição consegue distribuir recursos entre diferentes canais, uma campanha menor precisa selecionar prioridades e medir constantemente o retorno de cada estratégia, sobretudo nas redes sociais, onde a competição por atenção exige frequência, criatividade e investimentos.

Troca de marqueteiro amplia pressão sobre campanha presidencial

Como Augusto Cury troca marqueteiro e inicia uma reformulação em plena campanha, os próximos dias serão decisivos para avaliar se a mudança conseguirá ampliar sua visibilidade. A coordenadora-geral da candidatura, Luciana Martins, declarou que Sérgio Lima e a nova equipe possuem experiência, competência e visão estratégica para fortalecer a mensagem de Cury em todo o Brasil. Contudo, a substituição também aumenta a pressão por resultados rápidos, pois o novo comando terá de preservar o que já foi construído e, simultaneamente, apresentar uma comunicação renovada. O movimento ocorre em uma eleição marcada por forte polarização, alta presença digital e outras mudanças nas equipes de candidatos presidenciais. Assim, a escolha do marqueteiro pode influenciar o tom das peças, a seleção dos temas e a maneira como Cury será diferenciado dos adversários. 

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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