Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro fez um apelo aos eleitores

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) fez, nesta segunda-feira (24), um movimento direcionado aos eleitores de adversários que também disputam o primeiro turno das eleições de 2026. Durante um encontro com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, o senador pediu que apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) considerem votar em sua candidatura já na primeira etapa da eleição. A declaração colocou novamente em evidência a estratégia de voto útil e o esforço dos candidatos para ampliar seus respectivos eleitorados antes da votação.
Flávio Bolsonaro afirmou que parte dos eleitores desses candidatos estaria buscando uma mudança no comando do governo federal e, por isso, deveria avaliar sua candidatura ainda no primeiro turno. Segundo o senador, seu argumento está relacionado à possibilidade de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, além de uma crítica direta ao governo petista. Dessa forma, a fala foi apresentada como um apelo aos eleitores que atualmente apoiam nomes de diferentes setores da oposição, especialmente Caiado, Zema e Renan.
O pedido foi feito em um momento de intensificação da campanha presidencial, poucos dias antes do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Nesse cenário, a tentativa de Flávio de atrair eleitores de outros candidatos mostra como o primeiro turno também passou a ser marcado por uma disputa pelo eleitorado que não está concentrado nas duas candidaturas mais citadas nas pesquisas. Ao mesmo tempo, a movimentação ocorre em meio a diferentes estratégias adotadas pelos concorrentes para consolidar suas campanhas e definir suas posições no cenário eleitoral de 2026.
Flávio Bolsonaro pede voto e amplia discurso contra o PT
Durante o encontro realizado na sede da Fiesp, na Avenida Paulista, Flávio Bolsonaro falou durante aproximadamente 30 minutos para uma plateia de cerca de cem empresários. O candidato aproveitou o espaço para apresentar propostas relacionadas à política econômica e voltou a fazer críticas ao governo Lula, principalmente em relação ao nível de gastos públicos, ao endividamento e à carga tributária. Segundo o relato do UOL, aplausos foram registrados quando o senador comparou os problemas econômicos atuais aos efeitos provocados pela pandemia.
Na área econômica, Flávio defendeu uma política de responsabilidade fiscal e afirmou que pretende reduzir despesas do governo caso seja eleito, embora não tenha detalhado naquele encontro quais áreas seriam atingidas pelos cortes. Também foi defendida a busca por novas fontes de receita para que as despesas públicas possam ser compatibilizadas com as receitas. Segundo o candidato, a reorganização das contas públicas contribuiria, no longo prazo, para a redução dos juros, para a recuperação da credibilidade econômica e para melhores condições de pagamento das dívidas das famílias.
A abordagem econômica foi acompanhada, portanto, por uma mensagem política voltada à oposição ao PT. Flávio declarou que o país não suportaria mais quatro anos de governo petista e pediu aos eleitores de Caiado, Zema e Renan que considerassem sua candidatura como alternativa já no primeiro turno. Embora a decisão de voto pertença individualmente a cada eleitor, o discurso demonstra que a transferência de votos entre candidaturas passou a ocupar espaço importante na estratégia eleitoral apresentada pelo senador.
Eleições 2026 entram na fase de disputa pelo voto útil
O apelo feito por Flávio ocorre em um contexto no qual pesquisas recentes registram Lula e o próprio senador entre os nomes mais citados para o primeiro turno. Em levantamento Datafolha divulgado em 21 de agosto, Lula apareceu com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio marcou 33%, dentro de um cenário em que outros candidatos também disputam parcelas do eleitorado. A pesquisa ouviu 2.058 pessoas em 128 municípios entre os dias 18 e 20 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Outro levantamento, realizado pela BTG/Nexus, também havia mostrado Lula à frente no primeiro turno, com Flávio na segunda posição e Caiado, Renan Santos e Zema com percentuais menores. No levantamento divulgado em 10 de agosto, Lula tinha 40%, Flávio 35%, Caiado 5%, Renan 4% e Zema 3%, enquanto a margem de erro era de dois pontos percentuais. Esses números ajudam a explicar por que o eleitorado dos candidatos que aparecem com percentuais menores passou a ser alvo de pedidos explícitos de apoio por parte de concorrentes.
A estratégia também deve ser observada diante do calendário da propaganda eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral definiu que o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começará em 28 de agosto, com a coligação de Lula recebendo 5 minutos e 31 segundos diários e o PL de Flávio ficando com 4 minutos e 20 segundos, enquanto outras candidaturas terão tempos diferentes conforme a representação partidária. Assim, a campanha entra em uma fase na qual mensagens sobre economia, governo, impostos e oposição ao PT deverão alcançar um público ainda maior por meio das inserções e dos programas eleitorais.
Fiesp evita declarar apoio a Flávio Bolsonaro
A participação de Flávio na Fiesp também chamou atenção pela manifestação do presidente da entidade, Paulo Skaf. Segundo o UOL, Skaf afirmou que as ideias apresentadas pelo candidato estão alinhadas a princípios defendidos pela entidade empresarial, como menor presença do Estado, competitividade, juros menores e responsabilidade fiscal. Apesar disso, quando questionado diretamente sobre apoio eleitoral, Skaf ressaltou que a Fiesp mantém uma posição apartidária e evitou declarar voto no senador.
O episódio, portanto, reuniu dois movimentos distintos da campanha de Flávio Bolsonaro: de um lado, o pedido público para que eleitores de Caiado, Zema e Renan considerem votar nele já no primeiro turno; de outro, a apresentação de propostas econômicas a empresários em São Paulo, com ênfase em controle de despesas, redução de impostos e responsabilidade fiscal. A partir de agora, a repercussão dessas declarações dependerá da resposta dos demais candidatos e, principalmente, da forma como os eleitores avaliarão as propostas e as estratégias apresentadas ao longo da campanha presidencial.



