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Datena pretende usar o slogan ‘cadeirada’ como metáfora de combate à corrupção e privilégios

O apresentador e candidato a deputado federal pelo PSB, José Luiz Datena, decidiu transformar um dos episódios mais marcantes da eleição municipal de São Paulo em sua principal marca de campanha para 2026. Quase dois anos após atingir Pablo Marçal com uma cadeira durante um debate televisivo, Datena passou a utilizar a palavra “cadeirada” como slogan de sua candidatura, apostando na ressignificação do termo para transmitir uma mensagem de combate à corrupção e aos privilégios na política. A estratégia foi definida por integrantes da campanha e prevê o uso da expressão em sentido figurado. Em vez de fazer referência ao episódio de agressão, o slogan será empregado em frases como “cadeirada na corrupção”, “cadeirada nos privilégios” e “cadeirada no entreguismo”, buscando associar a imagem do candidato ao enfrentamento de práticas que ele afirma querer combater no Congresso Nacional. 

A escolha do slogan chamou atenção porque o episódio da cadeirada contra Pablo Marçal se tornou um dos acontecimentos mais comentados das eleições municipais de 2024. Desde então, a cena permaneceu presente no debate político e frequentemente voltou a ser lembrada por aliados, adversários e eleitores sempre que o nome de Datena apareceu no noticiário. Agora, ao disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, o jornalista aposta que o termo poderá ganhar um novo significado perante o eleitorado. A campanha pretende explorar a palavra como símbolo de firmeza diante de problemas considerados prioritários pelo candidato, sem incentivar qualquer forma de violência.

Datena pretende dar novo significado ao termo “cadeirada”

Segundo pessoas próximas ao candidato, a decisão de utilizar a expressão foi tomada após avaliações internas sobre a forte identificação do público com o episódio ocorrido em 2024. A equipe concluiu que o termo já faz parte da imagem pública de Datena e poderia ser reaproveitado em uma campanha com foco no combate à corrupção e aos privilégios políticos. Apesar da estratégia, Datena tem afirmado a aliados que não sente orgulho da agressão ocorrida durante o debate e que continua sendo contrário à violência. Ainda assim, o candidato considera que a palavra pode ser ressignificada e utilizada como metáfora para representar uma postura firme diante de problemas enfrentados pelo país. 

A campanha também avalia que slogans de fácil memorização costumam gerar maior repercussão durante o período eleitoral. Nesse contexto, a palavra “cadeirada” passou a ser vista como um elemento de forte identificação popular, principalmente por causa da ampla cobertura recebida pelo episódio na época da disputa pela Prefeitura de São Paulo. A utilização da expressão representa uma mudança em relação ao posicionamento adotado logo após o debate de 2024. Na ocasião, Datena afirmou publicamente que havia perdido o controle diante das provocações e declarou que o episódio não representava sua forma de fazer política.

Episódio com Pablo Marçal marcou eleição de 2024

O caso ocorreu em 15 de setembro de 2024, durante um debate promovido pela TV Cultura entre candidatos à Prefeitura de São Paulo. Ao longo da transmissão, Pablo Marçal fez referências a uma antiga acusação de assédio sexual contra Datena, posteriormente arquivada pelo Ministério Público, e também chamou o adversário de “arregão”. Após as provocações, Datena deixou seu púlpito, pegou uma cadeira do estúdio e atingiu Marçal. A transmissão precisou ser interrompida por alguns minutos, enquanto o candidato do PRTB deixou o local para receber atendimento médico. Posteriormente, exames apontaram traumatismo na região do tórax e do punho, sem lesões graves. 

A agressão rapidamente dominou o noticiário nacional e se tornou um dos acontecimentos mais marcantes daquela campanha eleitoral. O episódio também passou a ser utilizado por adversários e apoiadores durante os meses seguintes, tornando a palavra “cadeirada” uma referência imediata ao debate entre Datena e Marçal. Mesmo após o encerramento das eleições municipais, o caso continuou repercutindo em entrevistas e eventos políticos. O próprio Datena voltou diversas vezes ao assunto, reconhecendo que perdeu o controle emocional durante o debate, embora tenha afirmado que reagiu após sucessivas provocações.

Estratégia busca transformar repercussão em ativo eleitoral

A decisão de incorporar o termo à campanha mostra uma tentativa de transformar um episódio controverso em uma ferramenta de comunicação política. Integrantes da equipe acreditam que a ampla lembrança da cena pode facilitar a identificação do candidato pelos eleitores e fortalecer sua presença durante a campanha. Especialistas em marketing político observam que campanhas eleitorais frequentemente utilizam frases, símbolos ou acontecimentos marcantes para construir uma identidade junto ao eleitorado. Quando um fato já é amplamente conhecido pelo público, sua ressignificação pode aumentar o alcance das mensagens e facilitar a lembrança do candidato durante a disputa.

Nos últimos dias, o próprio episódio voltou a ganhar destaque durante a convenção do PSB em São Paulo. Durante o evento, aliados fizeram referências bem-humoradas à cadeirada, enquanto Datena chegou a erguer uma cadeira diante do público, reacendendo o assunto poucos dias antes do anúncio oficial do novo slogan de campanha. Com a campanha eleitoral em andamento, a expectativa é que a expressão seja utilizada em materiais de divulgação, discursos e eventos públicos. Dessa forma, Datena pretende transformar um dos momentos mais polêmicos de sua trajetória política em um símbolo de sua candidatura à Câmara dos Deputados, apostando que o eleitorado compreenderá o uso da palavra como uma metáfora de enfrentamento político e não como incentivo à violência.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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