Flávio Bolsonaro disse em um evento que vai acabar com os narcoterroristas

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro elevou o tom do discurso sobre segurança pública durante um evento realizado neste sábado, 22 de agosto, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Em meio ao lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do estado, o senador afirmou que criminosos classificados por ele como narcoterroristas terão até dezembro de 2026 para deixar o Brasil. Caso seja eleito, Flávio prometeu iniciar, a partir de janeiro de 2027, uma espécie de guerra contra organizações criminosas e adotar uma política de enfrentamento muito mais rígida.
A declaração foi feita em um dos principais atos políticos do candidato desde o início oficial da campanha presidencial e colocou novamente a segurança pública no centro de sua estratégia eleitoral. Flávio afirmou que pretende combater organizações como o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e milícias, defendendo que esses grupos sejam enquadrados como organizações terroristas. Dessa maneira, o candidato procura transformar o combate ao crime organizado em uma das principais marcas de sua candidatura, especialmente diante da preocupação de parte da população com violência, tráfico de drogas e domínio territorial de facções.
O discurso ocorre em uma eleição na qual Flávio aparece como principal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento Datafolha divulgado em agosto aponta Lula com 39% das intenções no primeiro turno, enquanto Flávio aparece com 33%, diferença que também se mantém relativamente estreita em uma eventual disputa de segundo turno. Portanto, a escolha do Rio de Janeiro para reforçar a pauta de segurança tem peso político significativo, já que o estado enfrenta há décadas problemas relacionados ao tráfico, às milícias e à disputa por territórios.
Flávio promete guerra contra narcoterroristas a partir de 2027
Durante o discurso no Maracanãzinho, Flávio afirmou que os criminosos deveriam aproveitar até o fim de 2026, pois, segundo ele, a partir de janeiro de 2027 haveria uma mudança radical na política de segurança pública. O senador declarou que os chamados narcoterroristas teriam até dezembro para deixar o país e utilizou uma linguagem de confronto direto para apresentar sua proposta ao eleitorado. A fala foi acompanhada de outra declaração contundente, segundo a qual o criminoso seria retirado de circulação “em pé ou deitado”, expressão que provocou forte repercussão política.
A estratégia anunciada pelo candidato prevê também mudanças na forma como o Estado trataria as organizações criminosas. Flávio defende que PCC, Comando Vermelho e milícias sejam classificados como grupos terroristas, medida que, caso fosse implementada, representaria uma mudança importante no tratamento jurídico e operacional dessas organizações. Além disso, o candidato voltou a defender o endurecimento das penas, incluindo uma pena inicial de oito anos para quem for condenado por roubo de celular, uma proposta que busca responder a um crime que afeta diretamente o cotidiano das grandes cidades.
Outro ponto apresentado pelo senador envolve a situação dos presos dentro do sistema penitenciário. Flávio afirmou que os detentos deverão trabalhar para ajudar a custear sua permanência nas unidades prisionais e também para indenizar vítimas, dentro de uma visão de maior rigor na execução das penas. Ao mesmo tempo, ele defendeu a castração química para estupradores e apresentou suas propostas como parte de um pacote mais amplo de endurecimento contra a criminalidade, reforçando uma imagem de candidato disposto a adotar medidas consideradas mais severas.
Segurança pública vira eixo central da campanha de Flávio
A escolha do Maracanãzinho para apresentar esse discurso não ocorreu por acaso, pois o evento reuniu aliados do PL e marcou o lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro. O candidato estadual disputa o Palácio Guanabara contra Eduardo Paes, que conta com o apoio de Lula, fazendo com que a segurança pública também seja utilizada como elemento de diferenciação entre os grupos políticos que disputam o estado. Assim, o ato serviu simultaneamente para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio e ampliar a presença do bolsonarismo na disputa fluminense.
O discurso de Flávio também precisa ser entendido dentro de uma estratégia eleitoral que vem sendo construída desde o início oficial de sua campanha. Em Copacabana, no dia 16 de agosto, o senador já havia colocado o combate ao crime organizado entre as prioridades de seu projeto e defendido que facções fossem tratadas como organizações terroristas. Agora, no Rio, a promessa foi apresentada de maneira ainda mais contundente, com a definição de um prazo até dezembro e a indicação de que janeiro de 2027 seria o início de uma nova etapa no enfrentamento ao narcotráfico.
O tema também estabelece um contraste direto com o discurso apresentado por Lula no mesmo sábado, 22 de agosto, durante um comício em Bangu. Enquanto Flávio utilizou expressões de confronto e prometeu uma guerra contra os chamados narcoterroristas, Lula afirmou que pretende enfrentar a criminalidade sem recorrer a ações que classificou como “pirotécnicas” e defendeu a recuperação de territórios dominados pelo crime. Dessa forma, a segurança pública passou a ser apresentada pelos dois principais candidatos com propostas e linguagens diferentes, transformando o assunto em um dos pontos centrais da disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro aposta no endurecimento contra o crime
A aposta de Flávio no endurecimento da segurança pública ocorre em um momento no qual o tema possui forte apelo eleitoral, especialmente entre eleitores preocupados com roubos, tráfico de drogas e presença de facções criminosas. O candidato procura associar sua imagem a uma resposta mais rigorosa contra esses problemas, enquanto seus adversários deverão questionar a viabilidade jurídica, administrativa e operacional de algumas das medidas anunciadas. Por isso, a discussão sobre segurança tende a ganhar ainda mais espaço durante a campanha, principalmente nos debates e nos programas eleitorais.
Ao prometer que os narcoterroristas terão até dezembro para “meter o pé” do Brasil e anunciar uma guerra contra criminosos a partir de janeiro de 2027, Flávio estabelece uma das mensagens mais duras de sua campanha até agora. O resultado dessa estratégia dependerá da capacidade de convencer o eleitor de que as propostas apresentadas podem produzir resultados concretos e, ao mesmo tempo, respeitar os limites previstos na legislação brasileira. Em uma eleição marcada pela polarização entre Lula e Flávio, a segurança pública deverá permanecer no centro da disputa, e o discurso adotado pelo candidato do PL mostra que ele pretende transformar o combate ao crime em uma de suas principais bandeiras eleitorais.



