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Giulia Falcão relata agressões e acusa marido de violência doméstica em São Paulo

Giulia Falcão relata agressões e afirma ter vivido um relacionamento marcado por violência física, psicológica, sexual e patrimonial. A cirurgiã-dentista de 27 anos concedeu entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, após denunciar o marido, o empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos. Segundo ela, o episódio mais recente aconteceu quando o casal retornava de um jantar, em Pinheiros, na Zona Oeste da cidade de São Paulo. Parte da ocorrência foi registrada por câmeras de segurança instaladas nas proximidades da residência dos dois. Ivo foi preso em flagrante e teve a detenção convertida em prisão preventiva. Entretanto, ele contesta as acusações e apresentou uma versão diferente à Polícia Civil, enquanto o caso continua sendo investigado sob as regras da Lei Maria da Penha.

Giulia Falcão relata agressões durante entrevista ao Estúdio i

Durante a conversa, Giulia afirmou que as agressões teriam começado ainda dentro do automóvel. Conforme seu relato, ela foi atingida com tapas e socos enquanto o empresário segurava uma arma de choque. Depois de conseguir sair do carro para procurar ajuda, a dentista teria sido perseguida pelo marido. Imagens de uma câmera mostram um homem, identificado como Ivo, descendo do veículo e avançando em sua direção. Na sequência, um golpe é desferido, e Giulia cai para trás. Além disso, ela declarou ter sido atacada com um taco de beisebol retirado do porta-malas. A mão direita foi utilizada para proteger o corpo e acabou lesionada. Posteriormente, ela conseguiu tomar o objeto e correr até policiais militares que estavam nas proximidades.

Dentista afirma que dinheiro era usado como forma de controle

Giulia também declarou que o poder financeiro do marido era utilizado para intimidá-la e dificultar o rompimento da relação. Segundo a dentista, ela ouvia que não conseguiria enfrentar a estrutura jurídica e econômica disponível ao empresário. Mensagens apresentadas publicamente mostram ameaças de mobilização de advogados caso ela não aceitasse determinadas condições. Dessa forma, a violência relatada não se limitaria às agressões físicas, mas incluiria controle patrimonial e pressão psicológica. Na entrevista ao Estúdio i, foi explicado que o dinheiro teria funcionado como instrumento de manipulação durante o casamento. Esse comportamento pode ampliar a dependência da vítima, provocar medo e reduzir sua capacidade de procurar ajuda. Entretanto, a existência e o contexto de cada mensagem ainda deverão ser oficialmente examinados durante a investigação e no eventual processo judicial.

Histórico de violência teria começado antes do casamento

De acordo com Giulia, outros episódios de violência teriam acontecido ao longo de aproximadamente dois anos, inclusive antes da formalização do casamento. Ela afirmou que permaneceu no relacionamento porque acreditava em uma mudança de comportamento e na preservação da família. Em maio de 2026, contudo, a dentista já havia procurado a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher para denunciar episódios de violência sexual. Um inquérito foi instaurado para investigar a acusação de que relações teriam ocorrido sem seu consentimento, inclusive enquanto ela dormia. Embora a expressão “estupro marital” não seja uma classificação autônoma no Código Penal, atos sexuais sem consentimento dentro de um casamento podem ser enquadrados como estupro. O vínculo conjugal, portanto, não elimina a necessidade de consentimento nem afasta a proteção penal.

Empresário nega acusações e apresenta outra versão à polícia

Ivo Vel Kos negou as agressões e declarou aos investigadores que teria sido atacado pela esposa durante uma discussão. Segundo a versão apresentada por ele, Giulia teria ficado alterada depois de consumir bebida alcoólica no jantar, quebrado vidros do automóvel e tentado agredi-lo com o taco de beisebol. Ferimentos aparentes foram identificados nos dois, razão pela qual ambos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal. Contudo, as gravações das câmeras, os laudos periciais, as mensagens, os depoimentos e as demais evidências deverão ser analisados em conjunto. O empresário foi indiciado inicialmente por suspeita de lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica. Já sua defesa apresentou um pedido de habeas corpus para tentar revogar a prisão preventiva. Até uma decisão definitiva, a presunção de inocência deverá ser respeitada.

Advogado de Giulia pede investigação por tentativa de feminicídio

O caso foi registrado na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo, mas o advogado de Giulia entende que a ocorrência deveria receber um enquadramento mais grave. A representação da dentista pretende solicitar ao Ministério Público que seja examinada a possibilidade de tentativa de feminicídio, considerando o relato de ameaça de morte, os objetos supostamente utilizados e a dinâmica registrada pelas imagens. Entretanto, a classificação jurídica poderá ser alterada no decorrer da investigação, conforme novas provas sejam reunidas. Giulia também pediu medidas protetivas, que podem incluir proibição de aproximação, restrição de contato e afastamento de determinados locais. Depois do atendimento médico e de um período de internação, ela foi liberada e passou a permanecer na casa de familiares enquanto se recupera das lesões físicas e do impacto emocional.

Giulia Falcão relata agressões e caso reforça importância da denúncia

O relato de Giulia chama atenção para um ciclo frequente em situações de violência doméstica: após agressões, podem ocorrer pedidos de desculpas, promessas de mudança, reconciliações e novos episódios de abuso. Por isso, a retomada de uma relação não invalida denúncias anteriores nem significa que a violência não ocorreu. A responsabilização de Ivo dependerá das provas e das decisões judiciais, mas o caso já evidencia a importância de redes de apoio e atendimento especializado. Mulheres em situação de risco podem ligar gratuitamente para a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180. Em emergências, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190. Além disso, delegacias especializadas, Defensoria Pública, Ministério Público e serviços municipais podem orientar sobre medidas protetivas, acolhimento e segurança. Nenhuma forma de violência dentro de uma relação deve ser normalizada.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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