Haddad diz que Brasil “não precisa” dos Estados Unidos

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (18) que o Brasil tem condições de ampliar sua presença no comércio internacional e reduzir a dependência de determinados mercados. A declaração foi feita durante sabatina da Jovem Pan, em meio às discussões sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Ao comentar os impactos para o agronegócio paulista, Haddad defendeu uma estratégia de diversificação das exportações e disse que o país pode buscar oportunidades em diferentes regiões do mundo. Para o candidato, a expansão das relações comerciais deve ser acompanhada de disposição para negociar com os norte-americanos caso haja interesse de ambas as partes.
Durante a entrevista, Haddad também citou o desempenho das exportações brasileiras de alimentos e afirmou que o país pode superar os Estados Unidos nesse segmento até o fim deste ano, alcançando uma marca inédita. A avaliação ocorre em um cenário no qual as vendas brasileiras para o mercado norte-americano apresentaram queda. De acordo com dados da Amcham Brasil mencionados durante a sabatina, as exportações do Brasil para os Estados Unidos recuaram 12,2% entre janeiro e julho, chegando a US$ 21 bilhões. No mesmo período, porém, as exportações brasileiras totais avançaram 10,5%. Apesar da redução, os Estados Unidos permanecem como o segundo principal destino dos produtos brasileiros, atrás apenas da China, o que mantém o mercado norte-americano como um parceiro relevante para a economia nacional.
Além da discussão sobre comércio exterior, o candidato apresentou propostas voltadas diretamente ao setor agropecuário paulista. Entre as medidas anunciadas está a criação de um seguro rural estadual complementar ao Plano Safra federal, com possibilidade de atendimento também aos produtores da agricultura familiar. Haddad afirmou ainda que pretende recuperar a estrutura dos institutos estaduais de pesquisa ligados ao setor, que, segundo sua avaliação, enfrentam dificuldades de funcionamento. A intenção apresentada é fortalecer a produção de conhecimento e ampliar o suporte técnico aos agricultores, especialmente em áreas estratégicas para a competitividade do agronegócio paulista.
Outro ponto abordado durante a sabatina foi a infraestrutura utilizada pelo setor produtivo. Haddad afirmou que pretende revisar a política de pedágios adotada no estado e retomar o programa Melhor Caminho, voltado à conservação de estradas vicinais. Segundo o candidato, essas vias têm importância direta para o deslocamento da produção agrícola e para o acesso de comunidades do interior. Ele também falou sobre a transferência da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Na avaliação apresentada, a localização atual do entreposto contribui para o deslocamento diário de aproximadamente 15 mil caminhões pela capital, situação que poderia ser modificada com o avanço do projeto de mudança da unidade.
Na área da segurança pública, Haddad defendeu a criação de um gabinete institucional sob coordenação do governador, reunindo representantes das polícias, do Ministério Público, da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O candidato também criticou a decisão do atual governo paulista de não aceitar determinadas formas de apoio federal e apresentou números sobre a resolução de crimes no estado. Segundo dados citados por Haddad, menos de 5% dos crimes registrados em São Paulo são esclarecidos e aproximadamente 31% dos homicídios chegam à solução, índice que ele comparou ao registrado no Distrito Federal, superior a 90%. As propostas apresentadas têm como foco ampliar a integração entre instituições e melhorar o uso de informações nas investigações.
Entre as medidas anunciadas para a área está ainda a criação de um sistema para registro de boletins de ocorrência por meio do WhatsApp, integrado a ferramentas de inteligência artificial. A proposta, segundo Haddad, seria utilizar a tecnologia como apoio ao patrulhamento da Polícia Militar e ao trabalho investigativo da Polícia Civil. As declarações feitas durante a sabatina colocam no centro do debate temas como comércio exterior, agronegócio, infraestrutura e segurança pública, áreas que devem ter peso importante na disputa pelo governo paulista. Ao apresentar suas ideias, o candidato busca destacar uma agenda voltada à ampliação dos mercados para produtos brasileiros, ao fortalecimento da estrutura estadual e ao uso de tecnologia na administração pública. As propostas agora passam a integrar o debate eleitoral sobre os caminhos que São Paulo poderá adotar nas diferentes áreas de governo.



