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Mensagens interceptadas pela PF revelam que Roberta Luchsinger teria presenteado Marcola com colar de diamantes

A Polícia Federal encontrou mensagens que indicam que Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, negociou a compra de joias de diamantes para Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. O ex-assessor ocupava uma posição próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e trabalhava na antessala do chefe do Executivo, mantendo contato com integrantes do governo. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (17) pelo colunista Tácio Lorran, do Metrópoles, com base em diálogos obtidos pela investigação.

As mensagens analisadas pela PF mostram uma conversa ocorrida em 29 de abril de 2024, quando Roberta e Marcola trataram da escolha de uma joia. Durante o diálogo, foram apresentadas diferentes opções e, posteriormente, a lobista enviou imagens de um par de brincos solitários e de um colar de diamantes. Marcola respondeu positivamente às peças apresentadas, segundo os registros citados na reportagem.

A investigação ocorre dentro de um conjunto de apurações que envolve Roberta Luchsinger, Lulinha e pessoas ligadas a negócios com o governo federal. A PF procura esclarecer se presentes, pagamentos de despesas e contatos com integrantes do governo foram utilizados para ampliar a influência da lobista junto a autoridades. Até o momento, as suspeitas estão sendo investigadas e não representam uma condenação dos envolvidos.

Amiga de Lulinha aparece em mensagens sobre joias para Marcola

De acordo com os diálogos obtidos pela Polícia Federal, Marcola participou diretamente da escolha das peças que seriam adquiridas. Em determinado momento, o então assessor afirmou que havia gostado de algumas opções e Roberta informou que uma vendedora apresentaria novas imagens. Na sequência, foram encaminhadas as fotografias dos solitários e do colar de diamantes, que receberam uma avaliação positiva de Marcola.

A compra das joias passou a ser analisada pela PF em conjunto com outros registros de relacionamento entre Roberta e Marcola. Segundo a reportagem de Tácio Lorran, já havia sido identificado que a lobista teria pago boletos e despesas pessoais do ex-assessor, que afirma ter contraído com ela um empréstimo pessoal de R$ 249 mil. A defesa de Marcola sustenta que as joias custaram R$ 9,2 mil e que o valor estaria relacionado ao empréstimo, que, segundo seus representantes, foi quitado com juros e correção.

A PF investiga se esse tipo de relação financeira e a oferta de presentes poderiam ter sido utilizados para ampliar o acesso de Roberta ao núcleo político mais próximo de Lula. Marcola era considerado um dos principais assessores do presidente, despachava na antessala do Palácio do Planalto e mantinha interlocução com ministros. Por isso, os contatos entre os dois passaram a ser considerados relevantes dentro da apuração sobre possível tráfico de influência.

Investigação da PF também envolve negócios e influência política

Roberta Luchsinger é apontada nas investigações como uma pessoa próxima de Lulinha e também manteve relações profissionais com empresários interessados em negócios com o poder público. Um dos nomes citados é Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado na Operação Sem Desconto por suspeitas relacionadas a fraudes na Previdência. Segundo a PF, Antunes realizou transferências que somam R$ 1,5 milhão para Roberta, enquanto uma conversa indicaria que determinado pagamento seria destinado ao chamado “filho do rapaz”.

Outro empresário mencionado nas investigações é Cleber Ribas, proprietário da empresa 3Structure IT Ltda., que teria contratado Roberta para serviços de prospecção de clientes. Conforme reportagem publicada anteriormente por Tácio Lorran, a PF identificou um pagamento de pelo menos R$ 150 mil feito pelo empresário à lobista, enquanto a empresa obteve contratos com o governo federal que ultrapassam R$ 80 milhões. A relação entre esses pagamentos, os contratos públicos e a atuação de Roberta está sendo analisada pelas autoridades.

As mensagens envolvendo Lulinha também passaram a fazer parte da investigação conduzida pela Polícia Federal. Em outros diálogos revelados pelo Metrópoles, ele aparece tratando com Roberta sobre negócios, reuniões e contatos com integrantes do núcleo próximo ao presidente, incluindo o próprio Marcola e Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger. Os registros são examinados pelos investigadores para esclarecer se Lulinha tinha conhecimento e participação nas articulações conduzidas pela lobista.

Joias e pagamentos são analisados pela Polícia Federal

A compra dos solitários e do colar de diamantes passou a integrar um conjunto de elementos que está sendo analisado pela Polícia Federal. A investigação procura estabelecer o contexto dessas transações e verificar se os presentes tinham alguma relação com os negócios e contatos políticos mantidos por Roberta Luchsinger. Por enquanto, a existência das mensagens demonstra a negociação das peças, mas a finalidade atribuída aos presentes ainda depende da conclusão das apurações.

O caso também ganhou repercussão porque os diálogos foram identificados em uma investigação que envolve suspeitas de corrupção e tráfico de influência. A defesa de Roberta, representada pelo advogado Roberto Podval, não comentou o conteúdo das apurações sob a justificativa de que o inquérito tramita sob sigilo, enquanto a defesa de Marcola apresentou explicações sobre o empréstimo e o valor das joias. Assim, os próximos passos deverão depender da análise dos documentos, das movimentações financeiras e dos demais contatos identificados pela PF.

A revelação das mensagens acrescenta um novo elemento às investigações envolvendo Roberta Luchsinger e pessoas próximas ao presidente Lula. Segundo a reportagem do colunista Tácio Lorran, os registros mostram uma relação que envolvia presentes, pagamentos e contatos com integrantes do governo, enquanto os investigadores procuram determinar se essas conexões tiveram finalidade ilícita. O caso continua sob apuração, e eventual responsabilidade criminal somente poderá ser definida após a conclusão das investigações e das decisões judiciais correspondentes.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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