Ministro promete à Janja procurar Motta para destravar PL da Misoginia

A articulação do governo federal para acelerar a votação do Projeto de Lei da Misoginia ganhou um novo capítulo nesta semana e pode colocar o tema novamente no centro dos debates da Câmara dos Deputados. Durante reunião do comitê interinstitucional do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, realizada no Palácio do Planalto, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, informou que conversará com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para defender que a proposta seja incluída na pauta de votações durante o período de esforço concentrado dos parlamentares. O compromisso foi apresentado diante da primeira-dama Janja e da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, reforçando o interesse do Executivo em dar andamento ao projeto considerado prioritário dentro da agenda de proteção aos direitos das mulheres.
A expectativa do governo é que o encontro entre José Guimarães e Hugo Motta, previsto para a próxima semana, abra espaço para um entendimento político capaz de destravar a tramitação da matéria. Responsável pela interlocução entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, o ministro pretende destacar a relevância da proposta e buscar apoio para que ela seja apreciada em plenário. O projeto, que já foi aprovado pelo Senado Federal, estabelece mecanismos para combater condutas motivadas por ódio, menosprezo ou discriminação contra mulheres. Um dos principais pontos do texto é equiparar a misoginia ao crime de racismo, tornando essas práticas inafiançáveis e imprescritíveis, além de prever pena de dois a cinco anos de prisão para os casos enquadrados na futura legislação, caso seja aprovada também pelos deputados.
A primeira-dama Janja tem desempenhado papel de destaque na defesa da proposta dentro do governo, acompanhando de perto as discussões relacionadas ao tema. A reunião realizada no Planalto reforçou o alinhamento entre diferentes áreas da administração federal em torno da necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e ao enfrentamento da discriminação de gênero. A avaliação de integrantes do governo é que o projeto representa um avanço na legislação brasileira ao estabelecer instrumentos mais rígidos para responsabilizar práticas motivadas por preconceito contra mulheres. Agora, o desafio passa a ser construir consenso político suficiente para garantir a votação da matéria na Câmara, etapa considerada decisiva para que o texto avance rumo à sanção presidencial.
Na Câmara dos Deputados, a proposta é relatada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que tem defendido a aprovação do texto desde antes do recesso parlamentar. Segundo a parlamentar, houve diálogo com representantes de diferentes legendas na tentativa de construir um acordo para levar o projeto ao plenário, mas a votação acabou não acontecendo. Em entrevista ao portal Metrópoles, Tabata afirmou que a principal dificuldade enfrentada atualmente está relacionada ao cenário político e eleitoral, que teria reduzido o espaço para o avanço da proposta. A deputada lamentou que um tema voltado à proteção das mulheres tenha se transformado em objeto de divergências políticas, defendendo que a discussão deveria ultrapassar disputas partidárias e reunir apoio de diferentes correntes ideológicas.
Ao destacar o histórico da tramitação, Tabata lembrou que o projeto foi aprovado de forma unânime no Senado Federal, inclusive com votos favoráveis de parlamentares da base governista e da oposição. Entre eles, segundo a deputada, estiveram nomes como Damares Alves (Republicanos-DF) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), demonstrando que houve entendimento sobre a importância da proposta naquela etapa do processo legislativo. Para a relatora, esse precedente reforça a possibilidade de construção de um consenso semelhante na Câmara. Ela argumenta que o enfrentamento à discriminação contra mulheres deve ser tratado como uma pauta de interesse coletivo, independente de posicionamentos políticos, religiosos ou ideológicos, destacando que a proteção dos direitos das mulheres é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade.
Com a retomada das atividades legislativas e a expectativa de novas articulações entre governo e lideranças da Câmara, o Projeto de Lei da Misoginia volta a ganhar visibilidade no cenário político nacional. A reunião entre José Guimarães e Hugo Motta poderá ser determinante para definir se a proposta entrará na pauta do plenário nas próximas semanas. Caso isso aconteça, o texto poderá avançar para uma das fases mais importantes de sua tramitação, reacendendo o debate sobre medidas de combate à discriminação contra mulheres e sobre o fortalecimento da legislação brasileira voltada à garantia de direitos. Enquanto o governo intensifica os esforços para viabilizar a votação, parlamentares favoráveis ao projeto seguem defendendo que a matéria seja analisada com prioridade, considerando seu impacto nas políticas públicas de proteção às mulheres.



