Republicanos tenta reabrir diálogo com PL e desenha novas chapas para eleição em Minas

O Republicanos tenta reabrir as negociações com o PL em Minas Gerais e trabalha com diferentes possibilidades para construir uma aliança na disputa pelo Governo do Estado em 2026. A principal alternativa mantém o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) como candidato ao Palácio Tiradentes, enquanto os liberais ganhariam espaço para indicar o vice. Entretanto, um segundo desenho também está sendo discutido e poderia colocar Vittorio Medioli (PL), ex-prefeito de Betim, como cabeça de chapa. As movimentações ocorrem poucos dias depois de o PL anunciar oficialmente Flávio Roscoe como seu candidato ao governo mineiro.
Republicanos busca nova aliança com o PL em Minas
As articulações mostram que o tabuleiro eleitoral de Minas Gerais permanece longe de uma definição definitiva. Conforme informações da coluna de Bertha Maakaroun, da Itatiaia, dirigentes estaduais do Republicanos trabalham para reconstruir o diálogo com o Partido Liberal e apresentar novas possibilidades de composição.
A negociação acontece em um momento particularmente delicado. Isso porque o PL decidiu avançar com candidatura própria após meses aguardando uma definição sobre Cleitinho. Na quarta-feira (5), Flávio Bolsonaro anunciou Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), como candidato do partido ao Governo de Minas.
Apesar disso, integrantes do Republicanos entendem que ainda existe espaço para uma composição.
A estratégia envolve apresentar propostas capazes de acomodar os interesses das duas legendas e, ao mesmo tempo, construir uma chapa competitiva para enfrentar os demais candidatos ao Palácio Tiradentes.
Primeiro plano coloca Cleitinho como candidato ao governo
O primeiro desenho discutido pelo Republicanos mantém Cleitinho como candidato ao Governo de Minas.
Nesse cenário, o PL receberia a possibilidade de indicar o candidato a vice-governador. Entre os nomes considerados aparece Vittorio Medioli, empresário e ex-prefeito de Betim.
A mudança exigiria uma reorganização da composição anteriormente defendida por aliados de Cleitinho.
Luís Eduardo Falcão, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), que aparecia como possibilidade para ocupar a vice, poderia ser deslocado para uma candidatura ao Senado.
Dessa maneira, o Republicanos conseguiria abrir uma posição importante para o PL sem necessariamente retirar Cleitinho da cabeça de chapa.
Medioli ganha importância nas articulações
O nome de Vittorio Medioli passou a ocupar uma posição estratégica nas conversas entre as duas legendas.
Nesta sexta-feira (7), o ex-prefeito afirmou estar à disposição para participar da construção de uma aliança com Cleitinho e o Republicanos. Os dois conversaram por telefone, e Medioli também recebeu contato do presidente estadual do Republicanos, deputado federal Euclydes Pettersen.
Portanto, embora nenhuma composição esteja fechada, a possibilidade de Medioli ocupar a vice deixou de ser apenas uma hipótese distante.
Além disso, sua presença poderia facilitar uma aproximação entre os partidos justamente por ele integrar o PL e manter interlocução com lideranças envolvidas nas negociações.
Segundo plano coloca Medioli como cabeça de chapa
Existe, entretanto, uma segunda alternativa sendo discutida.
Nesse modelo, Vittorio Medioli seria candidato ao Governo de Minas, enquanto o Republicanos ficaria responsável pela indicação do vice. Dois nomes aparecem nas articulações: a deputada estadual Lud Falcão e Gleidson Azevedo, irmão gêmeo de Cleitinho e ex-prefeito de Divinópolis.
Essa configuração mudaria significativamente o cenário atual.
Em vez de o PL simplesmente integrar uma chapa liderada pelo Republicanos, os liberais permaneceriam na cabeça de chapa, enquanto o Republicanos ocuparia uma posição relevante na composição.
Assim, as duas possibilidades demonstram que as negociações não envolvem apenas decidir se haverá uma aliança, mas também definir qual partido terá protagonismo na disputa.
Flávio Roscoe é peça fundamental na negociação
Qualquer acordo, porém, terá que considerar uma questão importante: Flávio Roscoe já foi anunciado como candidato do PL ao Governo de Minas.
O anúncio foi feito por Flávio Bolsonaro depois de um período prolongado de indefinições envolvendo Cleitinho e o Republicanos. Segundo Roscoe, o PL aguardou durante meses uma decisão sobre a possível candidatura do senador antes de optar por um projeto próprio.
Consequentemente, uma eventual retomada da aliança exigiria novas conversas dentro do partido.
Roscoe também já havia declarado anteriormente que não pretendia ser candidato a vice em uma chapa encabeçada por Cleitinho. Na ocasião, afirmou ter colocado seu nome à disposição especificamente para disputar o governo.
Por isso, a posição do empresário será fundamental para determinar se alguma das propostas apresentadas pelo Republicanos possui possibilidade concreta de prosperar.
Flávio Bolsonaro também terá papel decisivo
As articulações mineiras não dependem exclusivamente das direções estaduais.
Segundo a Itatiaia, os desenhos deverão passar também por Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, além do próprio Flávio Roscoe.
Isso acontece porque Minas Gerais ocupa posição estratégica na eleição presidencial.
O estado possui um dos maiores eleitorados do país e, historicamente, apresenta grande relevância na disputa pelo Palácio do Planalto. Portanto, construir um palanque estadual competitivo é uma preocupação importante para qualquer candidatura presidencial.
Nesse contexto, o PL precisa avaliar se uma aliança com Cleitinho poderia oferecer maior capacidade eleitoral ou se manter uma candidatura própria seria mais vantajoso.
Republicanos ainda precisa de aval nacional
Outro obstáculo está dentro do próprio Republicanos.
A possível coligação articulada por dirigentes mineiros ainda não recebeu o aval do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira.
Esse detalhe é especialmente relevante porque a relação entre Cleitinho e a direção nacional passou por momentos de tensão nas últimas semanas.
O senador chegou a indicar que não possuía condições emocionais para disputar o governo naquele momento. Posteriormente, voltou atrás, mas Marcos Pereira tratou o episódio como uma questão encerrada.
Apesar disso, a direção estadual manteve margem para mudanças.
O presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, registrou ata da convenção deixando em aberto, até 15 de agosto — prazo citado para o registro das candidaturas —, a possibilidade de reposicionamento da legenda no estado.
Cleitinho continua no centro da disputa
Mesmo diante das indefinições partidárias, Cleitinho continua sendo uma das principais peças do tabuleiro eleitoral mineiro.
A insistência de dirigentes estaduais do Republicanos em construir uma alternativa envolvendo seu nome demonstra que o senador ainda possui peso significativo nas negociações.
Nesta sexta-feira, inclusive, Marcos Pereira recebeu Cleitinho e Euclydes Pettersen para discutir o futuro político do senador. Paralelamente, fontes ouvidas pela Itatiaia apontaram uma retomada das conversas com o PL.
O encontro pode ser determinante para estabelecer até onde a direção nacional está disposta a reconsiderar decisões anteriores.
Além disso, qualquer sinal positivo poderá desencadear uma nova rodada de conversas com os liberais.
PL demonstra resistência em abandonar candidatura própria
Embora o Republicanos esteja disposto a negociar, o cenário está longe de ser simples.
O PL mineiro confirmou ter sido procurado, mas dirigentes partidários demonstram resistência à possibilidade de abandonar Flávio Roscoe. Segundo a Itatiaia, a posição manifestada nesta sexta-feira é de manutenção da candidatura própria.
Isso significa que o Republicanos terá que apresentar uma proposta considerada eleitoralmente vantajosa pelos liberais.
Além da candidatura ao governo e da vice, entram nessa equação as vagas para o Senado, os palanques presidenciais, as estruturas partidárias e os interesses de diferentes grupos políticos.
Portanto, uma eventual aliança dependerá de uma engenharia eleitoral complexa.
Vagas ao Senado também fazem parte das articulações
As negociações não estão restritas ao Palácio Tiradentes.
As candidaturas ao Senado representam outro componente importante das conversas.
Em um dos cenários discutidos nesta sexta-feira, aparecem como possibilidades Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho, e o deputado federal Domingos Sávio, do PL.
Em outro desenho, Luís Eduardo Falcão poderia deixar a posição de potencial vice e disputar uma cadeira no Senado.
Assim, a construção da chapa envolve distribuir diferentes posições entre as forças políticas interessadas no acordo.
Republicanos e PL já negociam há meses
A tentativa atual também não surgiu de maneira isolada.
PL e Republicanos vêm discutindo diferentes modelos de composição há meses. Antes da candidatura de Roscoe ser anunciada, os liberais aguardavam justamente uma definição de Cleitinho.
Em julho, o partido trabalhava inclusive com a possibilidade de lançar candidatura própria no primeiro turno e manter uma aproximação informal com o Republicanos pensando em eventual segundo turno.
A demora na definição chegou a gerar críticas públicas.
Após o Republicanos inicialmente barrar a candidatura de Cleitinho, Medioli afirmou que o grupo havia perdido quase três meses tentando construir uma aliança.
Agora, poucos dias depois, as conversas estão novamente sobre a mesa.
Disputa em Minas pode passar por nova reviravolta
A retomada das negociações mostra como o cenário eleitoral mineiro permanece volátil.
Há poucos dias, o anúncio de Roscoe parecia consolidar a estratégia de candidatura própria do PL. Agora, o Republicanos trabalha novamente para aproximar as duas legendas.
Existem, essencialmente, dois grandes desenhos em discussão: Cleitinho candidato a governador com um vice indicado pelo PL, possivelmente Medioli; ou Medioli encabeçando a chapa, acompanhado por um nome do Republicanos.
Nenhuma dessas alternativas, entretanto, está confirmada.
As propostas ainda precisam superar resistências internas e receber o aval de lideranças nacionais.
Aliança entre Republicanos e PL pode mudar eleição mineira
Caso seja concretizada, uma união entre Republicanos e PL poderá provocar uma importante reorganização da disputa pelo Governo de Minas.
Em vez de duas candidaturas competindo por parcelas semelhantes do eleitorado, as legendas poderiam concentrar estrutura política e eleitoral em torno de um único projeto.
Por outro lado, abandonar uma candidatura recém-anunciada também teria custos políticos para o PL, especialmente depois de Flávio Roscoe ter sido apresentado oficialmente como representante da legenda.
Por isso, os próximos dias serão decisivos.
A posição de Marcos Pereira, a decisão de Cleitinho, a avaliação de Flávio Bolsonaro e a reação de Roscoe deverão determinar se a reaproximação se transformará efetivamente em uma coligação ou permanecerá apenas como mais uma possibilidade discutida durante as negociações de 2026.




