Republicanos volta atrás e decide lançar o senador Cleitinho à disputa ao governo de Minas Gerais

A eleição para o governo de Minas Gerais sofreu uma nova e importante reviravolta nesta semana, depois que o Republicanos decidiu voltar atrás e permitir que o senador Cleitinho Azevedo dispute o Palácio Tiradentes em 2026. A mudança acontece apenas alguns dias depois de o parlamentar anunciar que não concorreria ao cargo e, posteriormente, pedir publicamente para que sua candidatura fosse reconsiderada pela legenda. Com isso, o cenário eleitoral mineiro volta a ser reorganizado em um momento decisivo, já que outros partidos haviam avançado em suas próprias estratégias diante da ausência do senador na disputa.
A nova decisão foi construída após uma reunião realizada em São Paulo entre Cleitinho, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e o presidente estadual da legenda em Minas Gerais, deputado federal Euclydes Pettersen. A articulação conduzida pelo dirigente mineiro foi fundamental para aproximar novamente o senador da direção nacional, depois de uma sequência de declarações públicas que havia colocado a relação política entre as partes em situação de tensão. Como resultado do entendimento, o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão foi definido como candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho.
A reviravolta também tem impacto sobre o restante da corrida eleitoral, porque o PL havia lançado Flávio Roscoe como candidato ao governo de Minas Gerais justamente no período em que a candidatura de Cleitinho parecia descartada. A escolha de Roscoe foi oficializada no dia 5 de agosto, último dia destinado às convenções partidárias, tendo o ex-deputado federal Charlles Evangelista como candidato a vice. Dessa maneira, a confirmação de Cleitinho pelo Republicanos recoloca na disputa um nome que vinha sendo apontado como competitivo em pesquisas e que já era acompanhado com atenção por diferentes grupos políticos do estado.
Republicanos volta atrás após crise envolvendo Cleitinho
A decisão do Republicanos encerra, pelo menos neste momento, uma sequência de idas e vindas que começou no início da semana. Na segunda-feira, Cleitinho havia divulgado um vídeo no qual comunicava que não seria candidato ao governo de Minas Gerais, aparecendo emocionado e mencionando o momento delicado vivido após a morte de seu irmão, Matheus Azevedo, em 18 de julho. Entretanto, na terça-feira, o senador surpreendeu integrantes do partido ao pedir novamente a candidatura durante a convenção nacional do Republicanos, realizada em Brasília. O episódio provocou uma reação imediata de Marcos Pereira, que rejeitou o pedido naquele momento e afirmou que a decisão de retirar Cleitinho da disputa já havia sido tomada.
A posição do presidente nacional do Republicanos havia sido construída depois de críticas à demora de Cleitinho para confirmar se realmente pretendia disputar o governo estadual. Marcos Pereira chegou a afirmar que o senador havia perdido o momento adequado para definir sua candidatura, enquanto a direção partidária precisava avançar na construção de uma chapa para Minas Gerais. Com a desistência inicial, Luís Eduardo Falcão passou a ser considerado para encabeçar a candidatura do partido, mas a situação foi novamente modificada após a articulação de Euclydes Pettersen. Assim, o nome de Cleitinho foi recuperado e a chapa acabou sendo definida com Falcão na posição de vice-governador.
Cleitinho retoma candidatura ao governo de Minas
O retorno de Cleitinho à disputa foi possível também porque o Republicanos havia deixado margem para definir posteriormente o nome que representaria o partido na eleição para o governo mineiro. Embora as convenções partidárias tenham terminado em 5 de agosto, a legislação eleitoral permite que determinadas decisões sejam delegadas às executivas partidárias quando essa possibilidade estiver prevista na ata da convenção. Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, essa autorização pode ser utilizada para solucionar situações que tenham permanecido indefinidas durante a realização das convenções. Por isso, a candidatura de Cleitinho ainda poderia ser formalizada, desde que respeitado o prazo de registro na Justiça Eleitoral, que termina em 15 de agosto.
A confirmação do senador muda novamente a configuração da eleição para o governo de Minas Gerais e deverá provocar novos movimentos entre os partidos que disputam espaço no campo político de direita. O PL já havia escolhido Flávio Roscoe, nome que contava com o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira, enquanto Cleitinho retorna ao cenário pelo Republicanos com Luís Eduardo Falcão como vice. O senador, por sua vez, chega à campanha depois de uma semana marcada por desistência, tentativa de retorno, resistência partidária e posterior acordo, tornando sua candidatura um dos principais acontecimentos da corrida eleitoral mineira. A partir de agora, o foco passa a ser a formalização do registro, a formação das alianças e a estratégia que será adotada por cada grupo diante de um cenário novamente alterado.




