Ministério Público pediu a impugnação da candidatura de Fabiana Bolsonaro

A disputa eleitoral de 2026 ganhou um novo capítulo em São Paulo depois que a Procuradoria Regional Eleitoral pediu a impugnação do registro de candidatura à reeleição da deputada estadual Fabiana de Lima Barroso, conhecida politicamente como Fabiana Bolsonaro. O Ministério Público Eleitoral questiona o uso do sobrenome Bolsonaro no nome de urna da parlamentar, argumentando que a escolha pode levar eleitores a acreditar que existe algum grau de parentesco entre ela e o ex-presidente Jair Bolsonaro. A situação chamou atenção porque Fabiana não pertence à família do ex-presidente e também não possui o sobrenome Bolsonaro em seu registro civil.
A ação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral não significa que a candidatura tenha sido cancelada. Neste momento, trata-se de um pedido que será analisado pela Justiça Eleitoral, responsável por decidir se o nome utilizado por Fabiana poderá aparecer nas urnas. Segundo a argumentação apresentada pelo procurador Paulo Taubemblatt, a utilização de Bolsonaro poderia provocar dúvida sobre a identidade da candidata e, consequentemente, favorecer uma migração de votos. O órgão também sustenta que a situação poderia gerar desequilíbrio na disputa eleitoral, principalmente porque o sobrenome possui forte associação política no cenário nacional.
O caso também recupera uma situação que já havia ocorrido nas eleições de 2022. Naquele ano, Fabiana tentou utilizar o nome Fabiana Bolsonaro na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas a Justiça Eleitoral não autorizou a utilização do sobrenome e ela acabou concorrendo como Fabiana B. Mesmo assim, foi eleita deputada estadual e assumiu o mandato em 2023. Agora, quatro anos depois, a tentativa de utilizar novamente o sobrenome volta a ser questionada, justamente quando o nome Bolsonaro continua tendo enorme peso na política brasileira e a família do ex-presidente estará envolvida diretamente nas eleições de 2026.
Uso de Bolsonaro na urna provoca questionamento eleitoral
O principal argumento do Ministério Público está relacionado à possibilidade de confusão entre a identidade da candidata e a família Bolsonaro. Na avaliação da Procuradoria Regional Eleitoral, um eleitor que encontre o nome Fabiana Bolsonaro na urna pode interpretar que existe algum vínculo familiar com Jair Bolsonaro, o que não corresponde à realidade. O órgão afirma que nomes de urna capazes de gerar dúvida sobre a identidade do candidato podem ser impedidos pela Justiça Eleitoral. Para sustentar o pedido, a Procuradoria também citou precedentes em que candidaturas foram barradas por situações consideradas semelhantes.
A discussão ganha uma dimensão ainda maior porque o sobrenome Bolsonaro possui forte reconhecimento entre os eleitores brasileiros. Jair Bolsonaro foi presidente da República e continua sendo uma das principais referências do campo político conservador, mesmo estando impedido de disputar a eleição. Em 2026, seu filho Flávio Bolsonaro concorre à Presidência pelo PL, enquanto outros integrantes da família também estarão nas urnas. Nesse contexto, o Ministério Público entende que a adoção do sobrenome por uma candidata sem parentesco poderia produzir um efeito eleitoral relevante. A Justiça, entretanto, ainda deverá avaliar os argumentos apresentados antes de determinar se Fabiana poderá ou não utilizar o nome.
Fabiana Bolsonaro já enfrentou problema semelhante
A tentativa de utilizar o nome Bolsonaro não é novidade na trajetória eleitoral de Fabiana. Em 2022, quando disputou uma vaga na Assembleia Legislativa paulista, ela também tentou aparecer na urna como Fabiana Bolsonaro. A Justiça Eleitoral não permitiu a utilização do sobrenome e a candidata acabou registrada como Fabiana B. Mesmo com a alteração, sua campanha conseguiu conquistar espaço suficiente para garantir a eleição. O episódio anterior passou a ser um dos principais elementos lembrados pela Procuradoria na nova ação de impugnação apresentada em 2026.
Fabiana é filiada ao Partido Liberal e é filha do deputado federal Adilson Barroso, também integrante do PL. Antes de chegar à Assembleia Legislativa, ela foi vice-prefeita de Barrinha, no interior de São Paulo, e também ocupou o cargo de secretária municipal de Desenvolvimento Social. Sua trajetória política foi construída dentro de um campo conservador e alinhado ao bolsonarismo, o que ajuda a explicar a associação pública entre seu nome e o sobrenome utilizado politicamente. Ainda assim, a questão analisada pela Justiça não é simplesmente sua identificação ideológica, mas o possível efeito eleitoral causado pela forma como seu nome será apresentado ao eleitor.
Pedido do MP ocorre em meio a novas controvérsias
A nova impugnação ocorre depois de outro episódio envolvendo Fabiana que provocou forte repercussão política em 2026. Em março, durante uma sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo, a deputada pintou o rosto e partes do corpo com uma tonalidade escura enquanto fazia um discurso relacionado à deputada federal Erika Hilton. O gesto foi classificado por opositores como blackface e gerou acusações de racismo e transfobia. Fabiana rejeitou as acusações e afirmou que sua ação fazia parte de uma analogia ou experimento social. O episódio provocou representações e investigações, ampliando a exposição pública da parlamentar.
A controvérsia envolvendo o nome de urna, portanto, surge em um momento no qual Fabiana já está sob atenção de diferentes setores políticos e jurídicos. A Procuradoria Regional Eleitoral terá agora sua argumentação submetida à análise da Justiça Eleitoral, enquanto o Partido Liberal terá prazo para apresentar contestação ao pedido de impugnação. A assessoria da deputada foi procurada pelo Metrópoles, e o espaço permaneceu aberto para manifestação. Dessa forma, o processo ainda poderá sofrer mudanças antes de uma decisão definitiva sobre o registro da candidatura.
O desfecho do caso poderá estabelecer um novo limite para o uso de sobrenomes de forte apelo político em nomes de urna. Se a Justiça Eleitoral acolher a argumentação do Ministério Público, Fabiana poderá ser obrigada novamente a disputar a eleição com outro nome, como ocorreu em 2022. Se o pedido for rejeitado, a parlamentar poderá tentar manter o nome Fabiana Bolsonaro na campanha e nas urnas. A decisão terá importância não apenas para a candidata, mas também para o debate sobre identidade eleitoral, reconhecimento de nomes e possibilidade de transferência de votos associada a sobrenomes conhecidos. Enquanto isso, a disputa segue em análise e não há, neste momento, uma decisão definitiva que impeça a candidatura de Fabiana.




