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Moro diz que Valdemar Costa Neto já pagou por ‘erros do passado’

O senador Sérgio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná nas eleições de 2026, saiu em defesa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, durante entrevista concedida nesta sexta-feira (7) ao UOL e à Folha de S.Paulo. Ao comentar a relação política com o dirigente partidário, Moro afirmou que Valdemar já respondeu pelos acontecimentos de seu passado e cumpriu a pena determinada pela Justiça. “Os erros que ele cometeu no passado, ele já pagou”, declarou o senador, ao ser questionado sobre a aliança construída dentro do partido para a próxima disputa eleitoral. A manifestação ocorre em um momento de atenção sobre a composição das forças políticas que deverão disputar o governo paranaense em 2026.

A referência feita por Moro diz respeito às condenações de Valdemar Costa Neto no processo relacionado ao escândalo do Mensalão. Segundo o senador, a situação atual do presidente do PL deve ser analisada considerando que ele cumpriu a pena estabelecida à época. “Inclusive, ele cumpriu a sua pena naquele período e se encontra, evidentemente, em outra situação no atual momento”, afirmou. A declaração reforça a disposição de Moro em manter o diálogo político com a direção nacional da legenda, especialmente diante das articulações para as eleições do próximo ano. O posicionamento também evidencia a importância da relação entre lideranças partidárias na definição das estratégias eleitorais que começam a ganhar espaço no cenário político paranaense.

Durante a sabatina, Moro também foi questionado sobre a recente declaração de Valdemar a respeito da participação de presidentes de partidos na indicação de emendas parlamentares. O tema ganhou destaque depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do dirigente do PL. Na avaliação de Moro, a decisão chamou sua atenção porque, segundo ele, o próprio documento não apontaria a existência de desvio de recursos provenientes de emendas. “Eu vi essa decisão com um certo espanto, porque, na própria decisão, não se afirma que houve qualquer espécie de desvio de valores de emendas parlamentares”, declarou o senador. Para ele, a discussão deve se concentrar na correta aplicação dos recursos públicos e na transparência dos procedimentos.

Moro explicou ainda como trata as próprias emendas parlamentares e afirmou que recebe sugestões de diferentes pessoas sobre a destinação dos recursos, mas que a decisão final cabe a ele. O senador defendeu que eventuais irregularidades na utilização de verbas públicas sejam devidamente apuradas e responsabilizadas, independentemente de sua origem. Ao apresentar sua própria atuação como exemplo, disse ter destinado cerca de R$ 69 milhões, nos últimos quatro anos, a hospitais filantrópicos do Paraná, com a finalidade de ampliar o financiamento da área da saúde. Segundo Moro, os valores destinados por seu mandato podem ser acompanhados por meio de uma plataforma de transparência, que reúne informações sobre beneficiários, quantias e etapas de execução de cada emenda.

A entrevista também serviu para que o senador apresentasse parte das prioridades que pretende levar para a campanha ao governo do Paraná. Moro afirmou que sua candidatura tem como objetivo transformar o Estado em um “modelo de excelência”, com atenção especial a áreas como segurança pública, saúde, educação e infraestrutura. O discurso procura associar sua experiência no Senado e sua trajetória anterior na administração pública a uma proposta de gestão voltada para resultados. A definição das candidaturas, alianças e estratégias para 2026, porém, ainda deve passar por novas negociações entre partidos e lideranças, em um cenário que tende a ficar mais movimentado à medida que o calendário eleitoral se aproxima.

Outro tema abordado foi a autonomia da Polícia Federal, assunto diretamente relacionado à trajetória política de Moro. O senador relembrou sua passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública durante o governo Jair Bolsonaro e a saída do cargo, em 2020, após divergências com o então presidente. Ao tratar do cenário atual, afirmou ter preocupação com possíveis interferências do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corporação, mencionando o contexto de divergências envolvendo integrantes da Polícia Federal e o ministro André Mendonça. As declarações colocam a autonomia das instituições entre os assuntos que devem permanecer no centro do debate político nos próximos meses. Com a corrida eleitoral de 2026 começando a ganhar contornos mais definidos, as posições apresentadas por Moro indicam que temas como transparência, gestão pública, segurança e independência institucional estarão entre os principais pontos de sua estratégia política no Paraná.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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