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Ronaldo Caiado visitou uma igreja na zona sul de São Paulo neste sábado (8)

Ronaldo Caiado reforçou neste sábado, 8 de agosto, sua aproximação com lideranças evangélicas durante uma visita a uma igreja na zona sul de São Paulo. Candidato do PSD à Presidência da República, o ex-governador de Goiás participou de uma reunião de obreiros da Assembleia de Deus, Ministério do Ipiranga, na Catedral Nacional da Independência, e aproveitou a agenda para destacar sua relação de longa data com o segmento religioso. A movimentação ocorre em meio à disputa pelo eleitorado evangélico, considerado estratégico para os principais candidatos da eleição presidencial de 2026.

Durante a visita, Caiado afirmou que sua ligação com os evangélicos não seria uma aproximação recente motivada exclusivamente pela campanha eleitoral. Segundo o candidato, a relação foi construída ao longo de sua trajetória política e também teria sido fortalecida pela atuação de igrejas em ações sociais. Ao falar com jornalistas depois do encontro, ele declarou que sempre manteve uma “parceria muito forte” com os evangélicos e destacou a participação dessas comunidades durante a pandemia e em iniciativas de assistência social.

A agenda em São Paulo também teve um componente pessoal e religioso. Caiado afirmou que considerava importante visitar o pastor Alcides Fávaro e receber suas orações, assim como ouvir uma avaliação sobre sua trajetória política e pessoal. O encontro, portanto, combinou a aproximação com uma liderança religiosa, a apresentação de sua história política e a tentativa de fortalecer sua presença em um segmento que possui peso relevante no eleitorado brasileiro.

Caiado reforça ligação com evangélicos

A estratégia de Caiado para se aproximar dos evangélicos vem sendo construída há algum tempo e ganhou espaço dentro de sua campanha presidencial. O candidato afirmou que a relação com as igrejas existe há décadas e citou conexões políticas estabelecidas com lideranças religiosas, especialmente em Goiás. Dessa maneira, a visita realizada na capital paulista foi apresentada como continuidade de uma relação que, segundo o próprio candidato, não teria começado durante a atual disputa eleitoral.

Caiado também citou sua relação com integrantes da Assembleia de Deus Ministério Madureira. O candidato lembrou que seu suplente no Senado, Luiz do Carmo, é irmão do bispo Oídes do Carmo, uma das lideranças da denominação em Goiás. Ele também mencionou que a Igreja Madureira indicou o vice-governador na chapa de Daniel Vilela, candidato apoiado por Caiado na disputa pelo governo goiano.

A conexão com lideranças religiosas, portanto, é utilizada por Caiado para sustentar a ideia de que sua aproximação com os evangélicos possui bases políticas e sociais anteriores à eleição presidencial. Ao mesmo tempo, a presença em igrejas de outros estados permite que sua campanha amplie a exposição nacional do candidato. Como resultado, encontros desse tipo passam a ter importância dentro do esforço para apresentar Caiado como uma alternativa da direita e do centro-direita na corrida pelo Palácio do Planalto.

Eleitorado evangélico é alvo da disputa presidencial

A disputa pelo voto evangélico ganhou importância entre os candidatos que pretendem chegar ao segundo turno em 2026. O próprio Metrópoles destaca que esse grupo representa cerca de 30% do eleitorado brasileiro, o que ajuda a explicar por que diferentes campanhas têm buscado estabelecer relações com pastores, bispos e outras lideranças religiosas.

O segmento, contudo, não pode ser tratado como um bloco político completamente uniforme. Existem diferentes denominações, lideranças, posições ideológicas e preferências eleitorais entre os evangélicos, o que faz com que o apoio de uma liderança religiosa não signifique automaticamente a transferência de todos os seus seguidores para determinado candidato. Por isso, a estratégia de Caiado envolve ampliar o número de contatos e construir uma imagem capaz de dialogar com diferentes setores desse eleitorado.

A proximidade com os evangélicos também coloca Caiado em uma disputa direta por espaço com Flávio Bolsonaro. A campanha do candidato do PL considera esse segmento um dos seus principais trunfos eleitorais, enquanto Caiado tenta apresentar sua própria trajetória junto às igrejas como argumento para conquistar parte desse público. O movimento mostra que a disputa dentro do campo conservador não se limita aos partidos e às alianças tradicionais, mas também alcança comunidades religiosas e suas lideranças.

Apoios religiosos ganham importância para Caiado

Um dos apoios mais relevantes recebidos por Caiado dentro do segmento evangélico ocorreu em março, quando o bispo Samuel Ferreira, presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira, declarou apoio à pré-candidatura do político goiano. A manifestação ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura de Caiado e surpreendeu parte das lideranças políticas e religiosas presentes naquele momento.

Segundo informações apresentadas pelo Metrópoles, questões relacionadas à política de Goiás também fizeram parte do contexto desse apoio. Naquele período, Samuel Ferreira buscava viabilizar um aliado para ocupar a vaga de vice na chapa de Daniel Vilela, que era apoiada por Caiado na disputa pelo governo estadual. A escolha acabou recaindo sobre Luiz do Carmo, ex-senador e irmão do bispo Oídes do Carmo, fortalecendo as conexões entre o grupo político de Caiado e lideranças da Assembleia de Deus Madureira.

Ao relembrar essas relações, Caiado procura mostrar que possui interlocução com lideranças evangélicas em diferentes níveis. A estratégia também permite que o candidato destaque sua experiência política em Goiás enquanto tenta transformar alianças regionais em uma rede de apoio de alcance nacional. Para uma candidatura que ainda busca ampliar sua presença nas pesquisas, esse tipo de articulação pode ser utilizado como instrumento para aumentar a exposição e alcançar eleitores fora de sua principal base política.

Caiado tenta ampliar espaço na corrida presidencial

A visita à igreja ocorre em uma fase na qual Caiado precisa ampliar sua competitividade na eleição presidencial. O candidato possui experiência como governador de Goiás e senador, mas enfrenta uma disputa com nomes que já consolidaram parcelas importantes do eleitorado. Entre eles estão Lula, Flávio Bolsonaro e outros candidatos de direita, como Romeu Zema. Por isso, a construção de uma identidade nacional é uma das prioridades da campanha.

Nesse cenário, o eleitorado evangélico representa uma oportunidade de crescimento. Pesquisas eleitorais recentes mostram que Flávio Bolsonaro possui vantagem entre evangélicos em determinados cenários, enquanto Lula mantém desempenho importante entre outros segmentos religiosos. Um levantamento divulgado pelo BTG Pactual em junho, por exemplo, apontava Flávio com 51% entre evangélicos em um cenário estimulado, enquanto Lula aparecia com 27% e Caiado com 5%.

Os números ajudam a dimensionar o desafio enfrentado por Caiado. O candidato não precisa apenas estabelecer relações com lideranças religiosas, mas também transformar essa interlocução em reconhecimento eleitoral junto aos fiéis. Para isso, sua campanha tem investido em encontros, visitas e manifestações públicas que procuram apresentar o candidato como alguém com histórico de diálogo com igrejas e atuação em ações sociais.

A estratégia possui ainda outra dimensão política. Ao reforçar sua relação com os evangélicos, Caiado procura ocupar um espaço dentro do campo conservador sem depender exclusivamente da estrutura política ligada ao bolsonarismo. Essa tentativa pode ser relevante porque a direita chega à eleição de 2026 com diferentes candidaturas e projetos, enquanto o eleitorado conservador é disputado por vários nomes.

A presença de Caiado na Assembleia de Deus Ministério do Ipiranga, portanto, deve ser entendida dentro de um movimento maior de aproximação com o segmento evangélico. O candidato afirmou que sua ligação com as igrejas vem de longo tempo, citou a participação dos evangélicos em ações sociais e durante a pandemia e destacou relações políticas construídas em Goiás. Ao mesmo tempo, sua campanha busca transformar esses vínculos em uma presença eleitoral mais ampla, principalmente em São Paulo e em outros estados.

A disputa pelo voto evangélico deverá permanecer como um dos pontos relevantes da eleição presidencial de 2026. Com cerca de 30% do eleitorado, segundo a informação apresentada pelo Metrópoles, o segmento possui peso suficiente para influenciar a estratégia dos principais candidatos. Nesse contexto, Caiado tenta se apresentar como uma opção capaz de dialogar com as igrejas a partir de uma relação que, segundo ele, foi construída durante sua trajetória política. A visita deste sábado reforça essa estratégia e mostra que a busca por apoio religioso já ocupa um espaço importante na campanha presidencial do candidato do PSD.

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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